Cidade de Faro: Teatro das Figuras

No ano de 2005, quando eu nem sabia que Faro existia, a cidade era escolhida Capital Nacional da Cultura em Portugal. Foi um evento de grande programação cultural que acabou por se espalhar pelo Algarve.

Chegou, inclusive, a receber uma delegação de 50 ministros da Cultura da comunidade europeia. 

Porém, Faro não ganharia só projeção nacional e internacional com isso. Sob a autoria do arquiteto Gonçalo Byrne, a cidade também ganhava naquele ano mais um teatro: o Teatro das Figuras.

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Teatro das Figuras | Foto: André Ries

Ele encontra-se logo na entrada da cidade e é facilmente visto devido ao tamanho do seu edíficio e pela sua arquitetura moderna.

É um recinto cultural de grande relevância na região do Algarve e no país, e vem se destacando por uma estratégia de programação diversificada: música e ópera, dança, teatro, novo circo e cinema, são algumas das áreas exploradas.

Uma experiência incrível.

No dia 8 de Abril de 2018, finalmente tive a oportunidade – e o prazer – de conhecê-lo.  Neste dia, o Yuri Barreto e eu fomos até o Teatro das Figuras para acompanhar o show da banda brasileira Liniker e os Caramelows.

O espaço é muito bonito e elegante.

Logo na entrada, existe um hall bem grande (que eu descobri se chamar foyer) onde localiza-se a bilheteria e as pessoas aguardam antes da abertura das portas e início do evento.

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Foyer | Foto: Teatro das Figuras

O teatro conta com uma plateia de 762 lugares, e é considerada uma das mais importantes salas de espectáculos da região, “pela versatilidade do seu equipamento, que permite a apresentação das mais variadas e complexas produções e eventos em condições de excelência.”.

Porém, não ficamos exatamente na plateia. Fomos para a “galeria técnica”, um espaço mais elevado onde ficam fotógrafos, produtores de conteúdo e imprensa em geral.

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Vista elevada da galeria | Foto: Yuri Barreto

Ficamos neste local do teatro pois foram disponibilizadas duas acreditações para o blog. Fizemos cobertura com fotos e vídeos para nossas redes sociais: facebook e instagram.

Foi a segunda vez que o Vivendo em Faro participou de um evento como “veículo de comunicação”. A primeira, foi no Festival F, super recomendado e que ainda vai ganhar um post aqui no blog.

O show:

Engraçado que mesmo depois de dois anos em Portugal, ainda é possível enfrentar barreiras linguísticas com o português luso e o brasileiro. 

Fomos recebidos e acolhidos pela querida Elsa Cavaco, Responsável de Marketing e Relações Públicas do Teatro das Figuras. Ela nos levou até a galeria e explicou algumas diretrizes do show. Entre elas:

“A produtora do concerto da banda Liniker e os Caramelows autoriza a captação de vídeo e fotografias nos primeiros 3 temas do concerto.”

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Show do Liniker e os Caramelows | Foto: Yuri Barreto

Temas? Eu nunca tinha ido em um show dentro de um teatro, achei que podia ser dividido em diversas partes. Já havia conhecido o Teatro Lethes, mas fui para uma visita guiada e uma peça de comédia.

Precisei ser sincero com ela e dizer que não entendia o que queria dizer. E a questão era mais simples do que imaginava. Eram as músicas! Só podíamos produzir conteúdo para as três primeiras faixas do show.

Além do seu funzy, termo criado por eles mesmos para definir a sua MPB – “música preta brasileira”, uma mistura de R&B e soul americanas com as raízes da música brasileira e africana, podemos aproveitar toda a presença de palco e simpatia do Liniker e seus companheiros. 

O show superou as expectativas. A banda criou um ambiente muito descontraído e foi possível ver pessoas em pé, próximas ao palco, criando uma sinergia muito boa entre ela e o público. No fim, era possível ver pessoas comentando que nunca tinham visto esse tipo de coisa no Teatro das Figuras. Geralmente as pessoas assistem e ficam nos seus lugares durante todo o espetáculo.

Essa informalidade deliciosa só podia vir do Brasil. 

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Fim do show da banda Liniker e os Caramelows | Foto: Yuri Barreto

Faro não para por aqui.

A cidade, agora, quer concorrer para Capital Europeia da Cultura de 2027. Uma equipe já vem sendo formada para a elaboração da candidatura. O mais interessante é que está marcado para o dia 8 de Setembro de 2018 um debate aberto à comunidade para se falar sobre essa proposta.

Enquanto isso, a região vem desenvolvendo e incentivando esta que é uma área muito importante para a sociedade e que faz parte dos valores do blog Vivendo em Faro.

O próprio Teatro das Figuras faz parte de uma rede chamada Rede AZul – Rede de Teatros do Algarve: uma rede informal que tem por missão programar e apoiar a criação e a produção cultural regional, tendo em vista a circulação artística na região, rentabilizando as infraestruturas existentes e reforçando a oferta cultural regional, assim como permitir receber no Algarve produções nacionais e internacionais.

A rede contempla mais 10 participantes: Auditório Municipal de Albufeira, Auditório Municipal de Lagoa, Centro Cultural de Lagos, Cine-teatro Louletano, Auditório Municipal de Olhão, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, Cine-teatro de São Brás de Alportel, Teatro Mascarenhas Gregório (Silves), Teatro António Pinheiro (Tavira) e Centro Cultural António Aleixo (Vila Real de Santo António).

Fique por dentro!

Para quem chega e não conhece muito, sugerimos acessar a Viral Agenda para saber um pouco mais sobre tudo que acontece em Portugal (podendo-se filtrar por cidade). 

Através da nossas redes sociais, também procuramos informar sobre eventos na região do Algarve e, principalmente, em Faro.

“A cultura está acima da diferença da condição social.” (Confúcio)

Obrigado pela leitura! Para mais conteúdos, acesse: Facebook e Instagram.
 
 
 
 

O que trazer do Brasil para Portugal?

Guarde um lugar na mala…

Como se não tivéssemos que pensar em tanta coisa antes de viajar para Portugal, como processo de matrícula, pedido de visto e compra de passagem, ainda temos que “lembrar” que estamos indo para um país distante.

Ok, Portugal tem diversas semelhanças com o Brasil, mas não conseguimos encontrar tudo que estamos acostumados na nossa terra. Ou pelo menos não por um preço razoável.

Portanto, sugiro que tu escolha bem o que coloca na mala e guarde um espacinho para os produtos brasileiros que tu não abre mão na vida.

Tem, mas é caro:

Farofa Yoki: como faz falta uma farofinha no arroz e feijão! Um pacote sai por mais de 3€, por isso pode ser uma boa ideia trazer uns pacotes na viagem.

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Erva-mate: é possível achar pacotes por aqui, porém os preços são salgadinhos, em torno de 10€ pra 500g. Por isso, a sugestão é trazer pelo menos 1kg do Brasil (não precisa ter medo de levar na bagagem) e sempre que souber de algum gaúcho que esteja vindo, pedir também!

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Cachaça 51: em geral, todo mundo bebe, mas os mineiros são quem mais sentem falta da “marvada”. Aqui, uma garrafa sai em torno de 9€ nos supermercados.

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Biquíni: o conjunto sai em torno de uns 20€ e, além disso, as brasileiras não costumam gostar muito dos modelos encontrados.

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Havaianas: os chinelos mais famosos do Brasil costumam ser bem caros na Europa, em torno de 20€ o par.

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Preservativo: infelizmente esse item é relativamente caro por aqui. Um pacote com 6 unidades sai em torno de 6€. (PS: existe distribuição gratuita em alguns lugares, como na cantina da universidade e no centro de saúde)

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Não tem, mas dá pra trazer:

Tapioca: aqui em Portugal só achamos granulada. A “nossa tapioca” não.

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Paçoquita: esse docinho gostoso não tem pra vender por aqui, e a caixa nem é tão grande assim.

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Doce de leite: nos supermercados tu encontra leite condensado cozido, mas não é – e nunca será – um mumuzinho!

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Matte Leão: principalmente os cariocas sentem falta dessa bebida que combina com o calor do Algarve. E esse produto não tem para vender por aqui.

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Tenys Pé: tem gente que costuma usar talco, mas tem gente que só usa essa marca. E não tem para vender aqui.

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Saudade de casa…

Cada produto pode ser mais ou menos associado com um estado. Conforme muda a região das pessoas, as necessidades também variam. Na lista fica fácil de perceber isso.

A saudade é inevitável, seja das pessoas, dos lugares ou outras coisas. Ter/consumir algo que remeta à nossa região é, de certa forma, reconfortante.

Por isso, a última dica para driblar esse sentimento é trazer algo bem simples:

Fotos: família, amigos, namorado(a), etc..

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Gostou? Curte, compartilha! E caso tu lembre de mais alguma coisa para adicionar na lista, comenta aí!

 

Trabalhar e Estudar em Portugal

Se tu, assim como eu, tens vontade de estudar em Portugal, mas precisa trabalhar para se manter financeiramente, esse post é para ti.

Sugestão: monte um currículo no formato Europass.

Depois, se tu vens com visto de residência para estudo, é preciso fazer uma comunicação para trabalhar com contrato. Essa comunicação deve ser feita ao SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). É o mesmo local em que tu trata do visto e título de residência.

Tu encontras esse departamento em várias cidades, geralmente dentro da Loja do Cidadão, local onde tu pode resolver várias questões de documentação. Em Faro, ela fica no 2º andar do Mercado Municipal.

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Mercado Municipal de Faro | Foto: André Ries

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Porém, não basta chegar no local e simplesmente avisá-los. Tu vais marcar uma data e horário (presencialmente ou pela internet) para comparecer com alguns documentos:

Além do visto, passaporte e comprovante de moradia, é preciso entregar um atestado da universidade que mostre o horário das tuas aulas e um contrato ou documento fornecido pela empresa onde apareça teu o horário de trabalho.

O intuito é de que eles analisem o horário de trabalho com o da faculdade e vejam se é compatível. Caso esteja tudo ok, eles emitem um novo documento.

Burocracia:

Essa parte já foi mais chata. Hoje em dia, o processo de marcação e entrega de documentos é razoavelmente rápido. Em anos anteriores, quando era necessário uma autorização, perdíamos muitas vagas por demorar em torno de 40 dias.

O tempo de espera varia conforme a disponibilidade do SEF, mas até a última vez que ouvi não era mais que uma semana.

Para além disso, caso seja a primeira vez que tu trabalhas em Portugal, a empresa onde vais trabalhar, deve solicitar à Segurança Social a criação de um número pra ti.

A SS, de acordo com o próprio site, “é um sistema que pretende assegurar direitos básicos dos cidadãos e a igualdade de oportunidades, bem como, promover o bem-estar e a coesão social para todos os cidadãos portugueses ou estrangeiros que exerçam atividade profissional ou residam no território”.

Mas não podemos desanimar. Sempre existe alguém disposto a realizar todo o processo e te dar uma oportunidade. Aqui em Faro a cidade gira em torno da Universidade e existem muitas opções de part-times, ou seja, meio-períodos, para que os alunos consigam trabalhar e estudar.

Basta tu chegar e ir atrás, largar currículos, que as oportunidades aparecem.

Outras opções:

Além do contrato, em Portugal foi criado um método de trabalho por “recibos verdes”. Nada mais que uma prestação de serviço. Tu trabalha e recebe como se fosse um trabalhador autônomo, podendo até contribuir para a Segurança Social. É uma alternativa para uma empresa que tem urgência. (Algumas até preferem, por não precisar pagar as taxas de um funcionário com contrato)

Existem também alguns freelancers, como garçons, bartenders, etc. Esses geralmente não têm contrato e tu ganha por dia/noite de trabalho.

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Foto: pexels.com

Por fim, tem os trabalhos que pagam somente por comissão de venda, onde também não é preciso contrato.

Eu considero como última alternativa.

Tem interesse em vir para Portugal para trabalhar?

A diferença de quem vem com visto de estudo, para quem quer vir apenas para trabalhar, é que na hora de tirar o visto de residência, já será preciso apresentar o contrato da empresa que deseja contar com teus serviços, além de todos os outros documentos.

Nesse caso, a dificuldade é um pouco maior porque uma empresa, em geral, não vai querer contratar alguém que ainda não está no país e que talvez nem conheça pessoalmente. Porém, com um bom currículo, boa apresentação e bons contatos, isso pode acontecer.

Conheço pessoas que vieram como turistas (prazo máximo de estadia de 90 dias), conseguiram trabalho durante esse período e puderam solicitar o visto de residência já em Portugal.

Onde procurar vagas:

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