Cidade de Faro: Teatro Lethes

Faro também é cultura!

Quem chega a Faro, talvez não note à primeira vista a vida cultural que existe na cidade. Claro que não temos a variedade de uma Lisboa ou Madrid, mas é possível sim ter acesso a alguns eventos interessantes. Basta ir atrás dos meios de comunicação corretos.

Para saber mais, sugiro olhar o Viral Agenda.

Um dos responsáveis por isso é o Teatro Lethes. Localizado na Baixa de Faro, muitas vezes não é percebido pelas pessoas que visitam a cidade porque sua fachada anda um pouco mal-cuidada. Como a área em torno está sendo revitalizada, a promessa é de que o edifício também ganhe um “trato”.

Fora esse detalhe, o teatro vem recebendo diversos espetáculos desde que, em 2012, a ACTA  A Companhia de Teatro do Algarve – passou a administrar o espaço.

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Cartazes das diversas peças já realizadas | Foto: Yuri Barreto

Um pouquinho da história…

Porém, antes de chegar até aqui, este edifício que é do ano de 1605 (!), passou por muitas coisas, desde diferentes donos até várias realidades.

Primeiramente, o lugar foi construído para ser uma escola, o Colégio de São Tiago Maior da Companhia de Jesus, fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas. Porém, em 1759, Portugal expulsou de seu território toda e qualquer presença jesuítica e o colégio foi fechado.

Alguns anos depois, entre 1807 e 1814, as instalações foram invadidas e serviram de base para o exército francês até que os mesmos fossem expulsos. Infelizmente, antes de fugirem, as instalações do antigo colégio foram muito depredadas, alterando algumas partes da arquitetura original.

Um pouco antes deste invasão, no ano de 1804,  um navio de Veneza naufragou na costa do Algarve numa noite de tempestade, e seus tripulantes foram salvos com a ajuda da população. Um deles era Lázaro Doglioni, médico italiano e grande apreciador das artes. Este rapaz acaba se casando com uma moça portuguesa e permanecendo em Faro. Em 1843, compra o edifício e faz obras para que este se torne um teatro à semelhança do Teatro de São Carlos, em Lisboa, que já teve como modelo o Teatro Scala, em Milão.

Em 1845 é inaugurado o Teatro Lethes, que leva o nome do rio da mitologia grega, “cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida”, como símbolo do apaziguamento desejado após a Guerra Civil Portuguesa. Em sua fachada coloca-se a inscrição em latim “monet oblectando”, que pode ser traduzida como “aprender divertindo-se”. Lázaro quis, de alguma forma, deixar a lembrança da primeira instituição presente naquele local.

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Fachada Teatro Lethes | Foto: André Ries

Em 1860, o teatro passa por uma reforma de ampliação para poder receber mais participantes, e no início do século XX novas remodelações são feitas para melhoria de condições do espetáculo.

Entretanto, na década de 20 o espaço entra em declínio, culminando com o seu fechamento em 1925. Somente em 1951 que o edifício acaba por ser vendido à Cruz Vermelha Portuguesa, cuja posse mantém-se até hoje.

Depois de passar por sucessivas obras de recuperação, a sala de espetáculos passar a ser gerida pela ACTA a partir de 5 de Outubro de 2012.

Visita Guiada

No dia 31 de Março de 2017, o Vivendo em Faro organizou um pequeno grupo para realizar uma visita guiada ao teatro. A iniciativa criada pela ACTA, devido ao Dia Mundial do Teatro naquela semana, proporcionou um momento de muito aprendizado e surpresa.

De fato, o que a gente vê por dentro do edifício é quase que inesperado. A arquitetura é muito bonita, rica em detalhes. Desde a entrada, um enorme corredor com algumas obras de arte espalhadas, os lustres e a bilheteria…

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Corredor de entrada | Foto: Yuri Barreto

… passando pelo hall situado antes de entrar na sala de espetáculos. Nesse ambiente, conforme nos foi explicado, a luz e a acústica já são mais baixas, para que as pessoas comecem a se acostumar com o ambiente do teatro e da peça.

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Entrada para a sala de espetáculos | Foto: Yuri Barreto

Um dos momentos mais engraçados foi a forma como nosso guia (e diretor do teatro), Luís Vicente, demonstrou o funcionamento da acústica do palco. Ao mesmo tempo que ele falava, fazia um círculo em torno dele mesmo, e o som se expandia de formas diferentes.

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Vista da galeria do 3º andar | Foto: Yuri Barreto

Outro ponto alto (literalmente) foi subir nos três andares das elegantes galerias dos camarotes do teatro. A gente não têm tanta ideia até que sobe realmente e se impressiona com a altura do local. Esses camarotes, antigamente, tinham uma função muito mais social e de status do que qualidade de visão dos espetáculos. Pelo contrário, é até pior de se assistir desses lugares. Porém, as pessoas não queriam conseguir ver, queriam ser vistas.

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Participantes da visita guiada

Como a visita foi gratuita, nossa forma de colaborar foi doando 1kg de alimento por participante para a própria Cruz Vermelha. Na entrega, acabamos descobrindo alguns projetos que existem por lá, voltados aos idosos. O teatro oferece curso de atuação, enquanto que a Cruz Vermelha tem curso de informática, entre outros. O sorriso no rosto das senhoras e senhores que chegam é contagiante!

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Corredor das instalações administrativas | Foto: Yuri Barreto

E, de sobra, ganhamos alguns ingressos para a peça “Um Espetáculo (Bela e Abel)”, uma comédia muito divertida.

Deixamos aqui nosso agradecimento a todos envolvidos pela organização do teatro, em especial ao Luís, que nos mostrou o local com toda a simpatia e atenção possível. E também aos que participaram da visita: Yuri, Bruna, Luiza, Erika, Eliara e Juan.

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Foto dos participantes da visita guiada por Luis Vicente

E também a dica para quem mora ou vem a Faro para não deixar de conhecer este lugar lindíssimo e, se possível, ter essa experiência de assistir a um espetáculo da casa, algo que é muito diferente e interessante.

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